Enviamos a seguitne pergunta ao Prof. José Pacheco.
Como você vê a relação entre currículo, forma escolar e a capacidade da escola em lidar com as diferenças? Quais modelos e princípios que norteiam o trabalho para a diversidade na escola?
Como resposta, ele enviou um livro, do qual retiramos os trechos mais significativos para a temática da exacerbação/apagamento das diferenças.
"Sempre que um
professor se assume individualmente responsável pelos atos do ser
coletivo, reelabora a sua cultura pessoal e profissional...
inclui-se. Como não se transmite aquilo que se diz, mas aquilo que
se é, os professores inclusos numa equipe com projeto promovem
inclusão."
"Onde houver turmas
de alunos enfileirados em salas-celas, não haverá inclusão."
"Onde houver séries
e aulas assentes na crença de ser possível ensinar a todos como se
de um só se tratasse, não haverá inclusão."
"O ethos
organizacional de uma escola depende da sua inserção social, de
relações de proximidade com outros atores sociais"
"Na solidão do
professor em sala de aula não há inclusão. Nem do aluno, metade
do dia enfileirado, vigiado, impedido de dialogar com o colega do
lado, e a outra metade, frente a um televisor, a uma tela de
computador ou de telemóvel... sozinho."
"Um projeto de
inclusão é um ato coletivo e só tem sentido no quadro de um
projeto local de desenvolvimento consubstanciado numa lógica
comunitária, algo que pressupõe uma profunda transformação
cultural."
"O trabalho
cooperativo de professores (há sempre mais que dois em cada espaço,
em cada momento), a auto-formação e a formação em círculo de
estudo são suportes que permitem a todos e a cada um dos
orientadores educativos dar resposta a todos e a cada caso."
"Creio ser
necessário integrar novas valências na equipa de projeto
(educadores sociais, animadores sócio-educativos,
sociólogos, antropólogos, especialistas em diversas áreas das
chamadas necessidades educativas especiais), que sejam capazes
de trabalhar em espaços comuns, cooperativamente."
"Todas as escolas deveriam ser espaços produtores de culturas
singulares, mas também espaços de múltiplas interações,
comunicação, cooperação, partilha... sabemos que não é bem
assim. As escolas são, quase sempre, espaços de solidão. O
trabalho dos professores é um trabalho feito de solidão e a
solidão dos professores é da mesma natureza da solidão dos alunos
– professores e alunos estão sozinhos na escola."
Referência:
PACHECO, José. Inclusão não rima com solidão.
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