sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Pergunta: José Pacheco

Enviamos a seguitne pergunta ao Prof. José Pacheco.

Como você vê a relação entre currículo, forma escolar e a capacidade da escola em lidar com as diferenças? Quais modelos e princípios que norteiam o trabalho para a diversidade na escola?

Como resposta, ele enviou um livro, do qual retiramos os trechos mais significativos para a temática da exacerbação/apagamento das diferenças.

"Sempre que um professor se assume individualmente responsável pelos atos do ser coletivo, reelabora a sua cultura pessoal e profissional... inclui-se. Como não se transmite aquilo que se diz, mas aquilo que se é, os professores inclusos numa equipe com projeto promovem inclusão."

"Onde houver turmas de alunos enfileirados em salas-celas, não haverá inclusão."

"Onde houver séries e aulas assentes na crença de ser possível ensinar a todos como se de um só se tratasse, não haverá inclusão."

"O ethos organizacional de uma escola depende da sua inserção social, de relações de proximidade com outros atores sociais"

"Na solidão do professor em sala de aula não há inclusão. Nem do aluno, metade do dia enfileirado, vigiado, impedido de dialogar com o colega do lado, e a outra metade, frente a um televisor, a uma tela de computador ou de telemóvel... sozinho."

"Um projeto de inclusão é um ato coletivo e só tem sentido no quadro de um projeto local de desenvolvimento consubstanciado numa lógica comunitária, algo que pressupõe uma profunda transformação cultural."

"O trabalho cooperativo de professores (há sempre mais que dois em cada espaço, em cada momento), a auto-formação e a formação em círculo de estudo são suportes que permitem a todos e a cada um dos orientadores educativos dar resposta a todos e a cada caso."

"Creio ser necessário integrar novas valências na equipa de projeto (educadores sociais, animadores sócio-educativos, sociólogos, antropólogos, especialistas em diversas áreas das chamadas necessidades educativas especiais), que sejam capazes de trabalhar em espaços comuns, cooperativamente."

"Todas as escolas deveriam ser espaços produtores de culturas singulares, mas também espaços de múltiplas interações, comunicação, cooperação, partilha... sabemos que não é bem assim. As escolas são, quase sempre, espaços de solidão. O trabalho dos professores é um trabalho feito de solidão e a solidão dos professores é da mesma natureza da solidão dos alunos – professores e alunos estão sozinhos na escola."

Referência:
PACHECO, José. Inclusão não rima com solidão.

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